31 de jul de 2009

Universitário americano é mais um condenado em processo movido pela RIAA


Joel e os advogados confiantes antes do processo começar

Joel Tanembaum, um universitário americano, foi condenado a pagar $ 675,000.00 por compartilhar 30 músicas - $ 22,500.00 por música - através de serviços P2P como o Kazaa e o Limewire.

O jovem foi pessimamente orientado por seus advogados e se tornou mais uma vítima da política de terror que as gravadoras tentam criar nos Estados Unidos. Joel já declarou que, se o veredicto for confirmado, ele e sua família terão que pedir falência pessoal.

O julgamento pôde ser acompanhado pelo Twitter e pelo seu site www.joelfightsback.com. Mas acabou que Joel não lutou, confessou ter mentido sob juramento, disse que baixou e distribuiu músicas e ficou feliz em ter sua sentença reduzida em quase $ 4 milhões – o pedido inicial era de $ 4,5 milhões.

O que se tira do que foi dito e publicado nos sites que se manifestaram sobre o caso é que a RIAA tem hoje processos contra 40.000 pessoas e que preferem investir contra pessoas mais humildes para criar um clima de que “podia ser com qualquer um, até com você”. Se eles se concentrassem nos peixes grandes, os usuários comuns de sites de compartilhamento de arquivos iriam se sentir seguros. Assim eles esperam que o medo seja maior que a vontade de baixar músicas.

Algumas considerações:

* Até que esse clima seja criado - isso vai levar tempo - provavelmente o download já não vai ter mais a mesma importância. Com o Spotify entrando no mercado americano no fim desse ano deve-se notar uma intensificação da tendência de migração do download para o streaming on-demand.

* Quando é que artistas americanos vão tomar partido e cerrar fileiras com seus fãs?

* Com um bom advogado a história teria sido outra. Afinal não cabe à RIAA provar o tamanho do prejuízo que o Joel causou? Como é que se avalia isso? Como é que se prova que os downloads ilegais realmente causam dano à indústria? Hoje se baixa muito mais música do que se compraria antigamente, mesmo que se tivesse dinheiro para tal. Um expert econômico poderia contestar os argumentos das gravodoras. Nada disso foi feito e uma grande oportunidade de se criar jurisprudência foi perdida.

* Para que isso não aconteça por aqui, assine e divulgue o Manifesto Música Para Baixar e se posicione contra a Lei Azeredo.

Para mais informação: http://remixtures.com/ - http://techdirt.com/articles/20090731/1531275733.shtml
http://copyrightsandcampaigns.blogspot.com/2009/07/oy-tenenbaum-riaa-wins-675000-or-22500.html

26 de jul de 2009

Então você quer fazer sucesso no mundo da música? Aqui estão as novas regras.

Li esse texto na internet que é um apanhado de muitas coisas que vimos discutindo por aqui. O original está em http://www.walletpop.com/blog/2009/07/25/so-you-wanna-be-a-rockstar-here-are-the-new-rules/ e me foi indicado via Twitter pelo excelente blog português Remixtures: http://remixtures.com/

"A indústria da música em geral tem sido lenta para se adaptar às ferramentas da nova mídia. Enquanto gravadoras e editoras ainda estão brigando para manter o controle de suas propriedades, existe um mundo novo onde uma elite da nova mídia está trabalhando para encontrar ferramentas para possibilitar aos músicos a construção de uma ponta entre a nova e a velha mídia.

Seja oferecendo música de graça na rede, trabalhando para construir uma comunidade online, ou simplesmente começando um dialogo, os que procuram respostas estão rapidamente substotuindo os antigos jogadores.

Eu decidi conferir o New Music Seminar em Nova Iorque essa semana para descobrir como os músicos estão sendo “armados”.

O principal mentor dessa conferência, Tom Silverman, fundador da Tommy Boy Entertainment, começou esse Seminário em 1980 para discutir o futuro do mercado já naquela época.

Ele começou esses encontros para tocar uma indústria que era historicamente resistente a mudanças. Serviu como um fórum para jovens empreendedores lançarem seus negócios e fazer contatos e virou um modelo para novas conferências como a South by Southwest.

Desde 2000, as receitas da indústria da música vêm decrescendo regularmente. No ano que vem, pela primeira vez, as receitas com as vendas digitais devem ultrapassar as físicas. Até 2013 a conta será 80% digital e 20% física.

“A mudança não virá se você esperar pelas gravadoras”, disse Silverman. “Nós somos quem nós esperávamos.” A conferência quer ensinar artistas como fazer mais dinheiro e menos bobagens.

Não importa se você quer ser um artista, um empresário, um divulgador ou um empreendedor, aqui estão as regras para ser bem sucedido no negócio:


• O futuro é DIY (Do It Yourself – Faça Você Mesmo). Aprenda a usar ferramentas baratas ou gratuitas, mas lembre-se que o importante é o seu trabalho. Software não vai resolver seus problemas.

• O melhor marketing é informado pela arte. Você não pode criar um vídeo viral; tudo depende da audiência. Mas você pode chamar a atenção.


• Se você é um artista, não peça dinheiro emprestado. Só se mantêm o controle artístico mantendo-se o controle financeiro. O oposto se você for um empreendedor. Tim Westergren, fundador da Pandora estourou um dúzia de cartões de crêdito e devia dinheiro a todo mundo antes de fazer seu negócio decolar.


• Existem muitos lugares para vender sua música online: Amazon, MySpace, iTunes e TuneCore para iniciantes. Mas não subestime o poder de dar sua música. Lil Wayne ofereceu sua música gratuitamente por mais de um ano antes de lançar seu álbum. Ele trabalhou antes para construir sua base de fãs antes de pedir qualquer dinheiro.


• Os fãs são a nova gravadora. No negócio agora tudo depende da relação entre o artista e seus fãs, especialmente os “uber” fãs, aqueles que compram todo o merchandise, vão a todos os shows e divulgam suas bandas favoritas.


• A chave para estabelecer o contato com os fãs é o e-mail, o dado mais importante que você pode coletar. Tenha uma folha para isso em todos os shows. Peça à audiência para mandar uma mensagem de texto com seus e-mails para o celular do seu produtor e prometa manter pessoalmente esse contato. Dessa forma você terá e-mails e códigos de área. Construa uma comunidade online através de webcasts, fotos, entrevistas e vídeos de shows.


• Engaje seus fãs de uma maneira que faça sentido, nada forçado ou fingido. A banda We The Kings lançou uma série semanal na internet que teve mais de 300 milhões de views. Eles venderam 100.000 discos antes das músicas chegarem no iTunes.


• É perigoso que um artista gaste muito tempo com coisas que não são artísticas. Crie um time de empresariamento para tomar conta das ferramentas, marketing e tecnologia. Se você está começando convoque um amigo que adore música para desenvolver sua marca com você.


• Só assine contratos de curto prazo e se eles forem te dar muita visibilidade. Caso contrário você vai ficar fora do radar.


• Comece localmente, comece com uma tribo. As melhores histórias de sucesso de bandas começaram com uma cena musical. A internet tem permitido que tribos aumentem muito de tamanho. Entre em contato com bandas similares e divida shows com elas. Construam uma cena e trabalhem para que o sucesso aconteça para todo mundo ao mesmo tempo.


Se você perdeu o seminário de Nova Iorque, fique atento porque vai haver outra conferência esse ano em Chicago. Fique ligado no WalletPop para mais informações sobre a nova música."

22 de jul de 2009

Artistas acham apoiadores enquanto gravadoras fenecem



Deu no New York Times. Traduzo o início:

***
Havia um tempo em que a maioria dos artistas aspirantes tinham o mesmo sonho: assinar um contrato com uma gravadora major.

Agora, com a estrutura do negócio da música mudando radicalmente, alguns iconoclastas da indústria estão contornando os gigantes da música e inventando novas formas para artistas criarem e comercializarem suas músicas – sem mais assinar um contrato tradicional.

A ação mais recente vem de Brian Message, empresário da banda alternativa Radiohead, que deu de graça swu último álbum, In Rainbows, na internet. Sua firma de investimentos, a Polyphonic, conforme anunciou este mês, procurará investir algumas centenas de milhares de dólares em artistas novos e ascendentes que não assinaram contratos de gravação e desta forma ajudá-los a criar suas próprias ligações diretas com seus públicos pela internet.

“Os artistas estão no ponto em que perceberam que voltar ao velho modelo não faz mais sentido algum”, disse Mr. Message. “Há uma fome por novas maneiras de fazer as coisas.”

A Polyphonic e outros empreendimentos similares são sintomas de mudanças profundas no negócio da música. As grandes gravadoras — Sony Music, Warner Music, EMI e Universal Music — não têm mais aquele pulso firme para criar e vender música profissional e fabricar sucessos com boa colocação no rádio.

Leia a matéria toda aqui.

Legenda da foto: Emily Haines, da banda Metric no Festival de Coachella em Indio, California, ano passado. A Metric, que recusou um contrato de gravação, fez seu próprio álbum e o ofereceu à loja do I-Tunes. (foto de Frazer Harrison/Getty Images)

16 de jul de 2009

Quem disse que o streaming matou a partilha de ficheiros?

Post de hoje do ótimo blog português Remixtures
by Miguel Caetano on Julho 14, 2009


Antes do texto do blog queria dizer que ninguém pode dizer com certeza o que vai acontecer. Temos indícios e nos fiamos neles. Por isso, acho muito oportuno publicar no mesmo dia uma opinião contrária à do Gerd Leonhard - blog logo abaixo. As conclusões são de cada um.

"A acreditar numa artigo ontem divulgado pelo The Guardian sobre uma pesquisa da empresa britânica de estudos de mercado The Leading Question em conjunto com a Music Ally, os fãs de música estão a deixar de copiar ficheiros obtidos através de redes de partilha de ficheiros e a optar em lugar disso por serviços mais-ou-menos legais de streaming de música como o Imeem ou a Last.fm.

Segundo o inquérito baseado numa amostra de mil indivíduos, a percentagem global de fans de música que descarregam música não autorizada de redes de P2P pelo menos uma vez por mês desceu para os 17 por cento em Janeiro de 2009 face aos 22 por cento registados no inquérito de Dezembro de 2007. A maior descida registou-se mesmo na faixa etária dos adolescentes entre os 14 e os 18 anos: de 42 por cento em Dezembro de 2007 para 26 por cento em Janeiro de 2009.

À primeira vista, serviços gratuitos como o YouTube, MySpace e o Spotify – que caiu nas boas graças das grandes editoras discográficas provavelmente porque apenas está disponível naqueles países com mercados publicitários mais atractivos -, parecem ter ocupado o lugar do Limewire, Pirate Bay e outros sites de BitTorrent: 65 por cento dos adolescentes entre os 14 e os 18 anos afirmaram escutar regularmente música via streaming. 31 por centes deles disseram que fazem diariamente streaming de música a partir do seu computador face a apenas 18 por cento de todos os que foram interrogados.

Mas a jornalista que escreveu o artigo esqueceu-se muito convenientemente de referir que a percentagem global de fãs de música que admitiram já terem alguma vez partilhado ficheiros aumentou de 28 por cento em Dezembro de 2007 para 31 por cento em Janeiro de 2009. No comunicado os autores do estudo referem ainda que um número maior de fãs partilha CDs gravados entre amigos e transfere faixas via bluetooth do que aqueles que descarregam os MP3s de sites e redes de partilha de ficheiros.

Estes dados é que importam e são fundamentais para perceber a actual transição pela qual o negócio da música está actualmente a passar. Na verdade, embora os sites legais de música possibilitem que os titulares de direitos exerçam um maior controlo sobre os seus conteúdos, muitas vezes eles apenas são utilizados para saber se vale a pena ou não descarregar os álbuns – DE BORLA a partir do Pirate Bay ou do Rapidshare.

Ou seja, na prática as gerações mais novas parecem ter definitivamente abandonado o hábito de comprar CDs. Isso mesmo é demonstrado pelo facto da percentagem de fãs que partilham regularmente álbuns (13%) é superior à daqueles que adquirem a versão digital a partir do iTunes ou da Amazon (10%). O mesmo já não se passa com a percentagem de downloads legais de singles (19%) que já ultrapassaram os downloads a partir de redes de P2P (17%).

Mesmo assim, a distância entre o sector legal e ilegal começa a diminuir: se em Dezembro de 2007 o rácio de faixas obtidas a partir de redes de P2P face às adquiridas em lojas online era de 4:1, em Janeiro de 2009 esse rácio desceu para 2:1.

É claro que as editoras discográficas e as sociedades de gestão colectiva de direitos de autor têm algumas razões para estar contentes. Mas não muito é que tanto o YouTube como o Spotify têm demonstrado alguma debilidade financeira. Ou seja: se com o Pirate Bay eles não recebem absolutamente nada, com estes serviços de streaming eles apenas recebem alguns cêntimos de euros mensais por cada utilizador.

Para além disso, estudos deste tipo pecam sempre por uma grande falta de transparência. Será que os seus autores contaram com o Rapidshare, o MegaUpload e outras dezenas de serviços de alojamento de ficheiros online? Quais as perguntas que foram colocadas? Ficamos sem saber. Nisto tudo, apenas acho lamentável que pessoas perfeitamente razoáveis incorram mais uma vez no erro de confundir a partilha com o roubo apenas porque lhes é mais conveniente.

Já agora: é bom não confundir o cenário britânico onde se pode aceder ao Spotify e à Last.fm sem pagar nada com o da nossa terra, em que somos relegados a excertos de 30 segundos apenas porque não temos o poder de comprar suficiente para atrair anunciantes de prestígio.

(foto de Adri H segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)"

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O browser é o novo i-pod e o aplicativo móvel é o novo CD


Traduzi este recente texto do Gerd Leonhard (16/7/2009), que fala de tendências que temos discutido aqui no Musicalíquida. Ele se autodenomina um futurista e costuma ter ideias polêmicas, que por isso mesmo são um bom combustível para as nossas próprias.

***

O acesso à música – isto é, um simples click-to-play, em qualquer lugar, a qualquer hora, qualquer coisa – está substituindo a propriedade. Esta tendência se acelerará rapidamente devido ao crescimento global da conectividade em banda larga barata e sem fio, nos levando ao ponto onde escutar uma música será exatamente o mesmo que baixá-la (ao menos em termos práticos, da perspectiva do usuário). Alguns de nós argumentarão que isso já acontece, claro, mas em termos de adoção pelo usuário em grande escala, eu diria que estamos a cerca de 18 meses do ponto de virada nos assim chamados países em desenvolvimento.

A indústria da música precisa urgentemente se preparar para isso: vender acesso e não (apenas) cópias. Juntar. Empacotar. Desenvolver esses novos geradores. "Se as cópias são de graça, você tem que vender coisas que não podem ser copiadas" (Kevin Kelly, The Techium).


Outra importante tendência a adotar é o movimento em direção aos aparelhos móveis que em grande parte substituirão o computador como primeiro ponto de acesso à internet, ou seja, a todo conteúdo digital. Mais aplicativos para smart-phones tomarão o lugar dos aparelhos de som; música será vendida como/em/via/com software. Leia como Pandora está fazendo isso nos EUA.

14 de jul de 2009

Trent Reznor, Gene Simmons e pílulas amargas


Deparei com um link para esta entrevista no velho e bom Pitchfork.

Entre outras coisas, Trent Reznor comenta uma possível parada do Nine Inch Nails para se dedicar a outros projetos, alguns extra-musicais. Saiu-se com esta pérola:

"(...) I’d never want to be Gene Simmons, an old man who puts on makeup to entertain kids, like a clown going to work ... In my paranoia, I fear that if I don’t stop this, it could become that. Because it’s nice to get a paycheck, and now the only way to get a paycheck is to play live, so it’s all those things swirling around in my head."

Mas o que ele gosta mesmo é de falar, e com propriedade, do estado atual do negócio da música. Aqui vai o trecho da entrevista em que ele desenvolve o tema:

***

You’ve been very vocal about the state of the record industry and how labels have been greedy about the whole business. How do you think it can be improved, if at all?

It’s a kind of Mafia-type run business .. They have systematically taken advantage of artists over the years from The Beatles onwards. You [the artists] do all the work, they loan you money to make records, then you pay them back and they own everything. To see that system collapse is an exciting thing. There isn’t a clear answer on what the right thing to do is right now, and as a musician you’re up against a pretty difficult scenario: most kids feel it’s OK to steal music, and do freely ... The good news is that people are excited and interested in music ...

As an artist it’s your job to capitalize on that. It means generally swallowing a bitter pill and saying, ‘Hey, people don’t want to buy music, so let me give it to you. I’ll find another way to make money but I want you on my side and hearing my music. So let’s get rid of this walled garden of having to pay to hear it, here it is, give it to your friends. Hey, try to come to our show if you can, or you can buy this T-shirt of ours if you like, and that will help us out. Or, here’s a nice version of our album that we put in a cool package for a premium price and we’re only selling a couple thousands of them.’

There are ways that you can monetize your business, but the traditional way of going to a record store and having to pay for it, those days are over. In the States, there aren’t any record stores left. The only place ... is like a Best Buy where you go to buy a washing machine and there’s a tiny rack of DVDs and CDs. I think we’re in between business models right now ...

I’m trying everything I can to contribute to when that next model does come up, whatever it might be, whether it’s subscriptions or whatever, where the artist is more fairly represented and has a say and is compensated, and you’re not paying for jets for record label CEOs ... They’re in their last moments of death and I’m happy to see them go ’cause they’re all thieves and liars.

13 de jul de 2009

O que é o Partido Pirata - que ganhou diversas cadeiras no parlamento europeu?


O Partido Pirata é muito discriminado por conta do nome e das campanhas difamatórias que os grupos de “proteção” ao direito autoral têm realizado, mas seus princípios são bastante nobres.

O principal ponto é colocar nossa privacidade e nossa direito à cultura como estando acima dos interesses de alguns grupos econômicos.

Christian Engstron, representante do Partido Pirata Sueco, escreveu em um artigo no Financial Times que as atuais leis de direito autoral vão acabar construindo um mundo muito mais amedrontador que o imaginado no Big Brother. Essas leis foram criadas para incentivar a criação e não para restingi-la. Vejam o exemplo citado por ele:

"Se você procurar por Elvis Presley na Wikipédia vai encontrar bastante texto e algumas fotos que foram liberadas para divulgação. Mas você não vai encontrar nenhum vídeo ou música por conta das restrições de direito autoral. O que nós imaginamos como nossa herança cultural, no fim, não é nossa."

Ele lembra que, se por um lado, a tecnologia abre mil novas possibilidades expressivas, por outro, a legislação autoral tolhe essas mesmas possibilidades. E que essa não era a intenção dos direitos autorais. O que nasceu para incentivar a cultura tem servido para restringi-la – e isso é motivo suficiente para uma revisão geral do nosso arcabouço legal.

Para garantir direitos que têm se mostrado danosos os governos têm admitido restringir nosso direito de nos comunicarmos livremente sem sermos monitorados. Ele ainda lembra que essa nova tecnologia pode ser usada para criar uma sociedade que abrace a espontaneidade, a colaboração e a diversidade.

São princípios importantes, que fazem total sentido e que precisam ser discutidos com urgência e sabedoria.

11 de jul de 2009

Ronaldo Lemos - Creative Commons - fala no Fórum MPB

Para quem quer saber mais sobre direitos autorais e seus problemas no mundo digital. Discussão urgentíssima para aliviar a nossa atividade.

Ronaldo Lemos no Primeito Fórum MPB - 25 junho - Porto Alegre from Everton Rodrigues on Vimeo.

9 de jul de 2009

UE planeja revisar regras para downloads na Internet - e o Brasil?

Até que enfim!!

BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia precisa de novas regras para downloads na Internet que dariam mais facilidade para as pessoas acessarem músicas e filmes sem recorrer à pirataria, disse nesta quinta-feira a responsável pela área de telecomunicações no bloco.

Ao mapear as prioridades da Comissão Europeia, braço executivo da UE, para os próximos cinco anos, a comissária de telecomunicações, Viviane Reding, disse que deveriam ser consideradas novas leis para reconciliar os interesses dos detentores de propriedade intelectual e dos internautas.

"Farei disso minha prioridade no trabalho... em termos um meio simples, fácil e legal de acessar conteúdo digital de maneira única em toda a Europa, assegurando, ao mesmo tempo, remuneração justa para os criadores (do conteúdo)", disse ela durante um seminário.

Segundo ela, as leis atuais são mal definidas, porque aparentemente levam as pessoas, especialmente os jovens, a piratear conteúdo na Internet, ou fazer o download de material ilegalmente.

"A pirataria na Internet parece estar se tornando cada vez mais 'sexy', em particular entre os que já nasceram na era digital", disse ela, citando pesquisa mostrando que 60 por cento das pessoas entre 16 e 24 anos fizeram download de áudio e vídeo na Internet nos últimos meses sem pagar pelo conteúdo.

Não custa perguntar:

Quando os EUA, a França e o Brasil vão se dar conta de que o mundo mudou?

8 de jul de 2009

Manifesto Movimento Música para Baixar


É a partir do surgimento da democratização da comunicação pela rede cibernética, que a conjuntura na música muda completamente.

Um mundo acabou. Viva o mundo novo!

O que antes era um mercado definido por poucos agentes, detentores do monopólio dos veículos de comunicação, hoje se transformou numa fauna de diversidade cultural enorme, dando oportunidade e riqueza para a música nacional – não só do ponto de vista do artista e produtor(a), como também do usuário(a).

Neste sentido, formamos aqui o movimento Música para Baixar: reunião de artistas, produtores(as), ativistas da rede e usuários(as) da música em defesa da liberdade e da diversidade musical que circula livremente em todos os formatos e na Internet.

Quem baixa música não é pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente projetos musicais.

Temos por finalidade debater e agir na flexibilização das leis da cadeia produtiva, para que estas não só assegurem nossos direitos de autor(a), mas também a difusão livre e democrática da música.

O MPB afirma que a prática do “jabá” nos veículos de comunicação é um dos principais responsáveis pela invisibilidade da grande maioria dos artistas. Por isso, defendemos a criminalização do “jabá” em nome da diversidade cultural.

O MPB irá resistir a qualquer atitude repressiva de controle da Internet e às ameaças contra as liberdades civis que impedem inovações. A rede é a única ferramenta disponível que realmente possibilita a democratização do acesso à comunicação e ao conhecimento, elementos indispensáveis à diversidade de pensamento.

Novos tempos necessitam de novos valores. Temas como economia solidária, flexibilização do direito autoral, software livre, cultura digital, comunicação comunitária e colaborativa são aspectos fundamentais para a criação de possibilidades de uma nova realidade a quem cria, produz e usa música.

O MPB irá promover debates e ações que permitam aos agentes desse processo, de uma forma mais ampla e participativa, tornarem-se criadores(as) e gestores(as) do futuro da música.

O futuro da música está em nossas mãos. Este é o manifesto do movimento Música Para Baixar.

RJ – Leoni – Cantor e Compositor – http://www.leoni.art.br/ e http://musicaliquida.blogspot.com
DF – Ellen Oléria – Cantora e Compositora – http://sapatariadf.wordpress.com/
PB – Kaline Lima – Rapper
RS – Nei Lisboa – Cantor e Compositor – http://www.neilisboa.com.br/
SP – Trupe o Teatro Mágico – http://www.oteatromagico.mus.br/novo/
RS – Banda Bataclã – http://www.bataclafc.com.br/
PA – Juca Culatra & Power Trio – http://www.myspace.com/jucaculatrapowertrio
ES – Banda Sol na Garganta do Futuro – http://solnagargantadofuturo.blogspot.com/
PR – Banda Nuvens – http://www.nuvens.net/
DF – Banda Coyote Guará – www.coyoteguara.com.br
MT – Eduardo Ferreira – Integrante do Caximir, OsViralata e da Afábrika – caximirbuque.blogspot.com
DF – GOG – Rapper e Poeta – http://gograpnacional.com.br/
PA – Casarão cultural Floresta Sonora – http://www.myspace.com/florestasonora1
DF – Jaqueline Fernandes – Produtora Cultural – http://grioproducoes.blogspot.com/
PE – Pedro Jatobá – Diretor de Açoes Culturais do Instituto Intercidadania – http://www.intercidadania.org.br/
SP – Cabeto Rocker – Pascolato-Músico/Produtor Cultural
SP – Mateus Zimmermann – Jornalista, designer editorial e fotografo – www.mateus.jor.br
BR – Sociedade de Usuarios da Tecnologia Java – SouJava – http://www.soujava.org.br

RS – Marcelo Branco – Associação Software Livre.ORG – http://softwarelivre.org

RS – Richard Serraria – Compositor, músico, poeta e artivista – http://vilabrasilcodigolivre.blogspot.com/

SP – Fabio Malagoli Panico Bugnon – Advogado

RS – Everton Rorigues – Projeto Software Livre Brasil, Banda Bataclã FC e blog Brasil Autogestionário

Para assinar basta acessar: http://www.petitiononline.com/mpb/petition.html

7 de jul de 2009

Olha isso @ticostacruz: Moby mostra, mais uma vez, que música grátis não canibaliza a música paga

Ontem o cantor Tico Santa Cruz, como estratégia para divulgar o novo trabalho de sua banda, Detonautas, liberou um link para download de uma canção inédita no Twitter. Em um de seus posts ele já previa uma reação de sua gravadora. Dito e feito. Recebeu um e-mail da mesma pedindo que ele retirasse o link.
Mandei uma mensagem para o Tico com o e-mail do Moby para Bob Lefsetz contradizendo inteiramente a teoria das gravadoras de que a música oferecida de graça diminui as vendas.
Hoje apareceu esse texto num blog que acompanho e achei muito apropriado reproduzí-lo aqui, até para dar munição ao Tico para argumentar com sua gravadora.


tradução de texto publicado em TechDirt


Ouvindo a indústria da música você pensaria que música de graça significa que os músicos não têm mais nada para vender. Isso é, obviamente, falso já que vemos repetidamente que músicos que se conectam com os fãs (ao invés de processá-los) e dão a eles algo de valor para comprar (ao invés de forçar as mesmas coisas sobre eles) não têm problemas para vender bastante, a despeito de qualquer “pirataria”. Na verdade, existe cada vez mais evidência de que música gratuita não é nem mesmo uma substituta real para música paga. Há alguns meses escrevemos sobre Corey Smith e sua experiência do verão passado. Smith oferece todas as suas canções de graça em seu site e, ainda assim, continua vendendo faixas no iTunes. A experiência consistiu em remover os downloads gratuitos do site e descobrir que as vendas no iTunes despencaram. Exatamente o oposto do que a indústria da música insiste em dier que vai acontecer.

Parece que algo semelhante aconteceu com Moby. Em um e-mail para Bob Lefsetz ele ressalta que a música que ele vem dando em seu site é a que tem gerado mais vendas no iTunes:

Como vão as coisas?
O álbum acabou de sair e lideraria a parada européia se não fosse pelos relançamentos do Michael Jackson.
Então, está indo bem.
Mas tem algo engraçado acontecendo: a faixa que mais tem vendido no iTunes é “Shot In The Back Of The Head”.
Por que é engraçado?
Porque é a faixa que eu venho dando há dois meses e que eu ainda estou dando.
Estranho.
Como vai você?
Moby

É claro que deve ajudar o fato de Moby não tratar seus fãs como criminosos.

Gravadoras e Web Radios chegam a um acordo sobre royalties


Deu hoje no Pitchfork e no New York Times.

Gravadoras e rádios de internet chegaram a um acordo sobre royalties nos Estados Unidos. Desta vez agradou às webradios, praticamente com o pé na cova, pois as taxas dos acordos anteriores as obrigariam a cair fora do mercado. Elas teriam que pagar 0,19 centavos de dólar por stream, já em 2010.

O novo acordo é muito mais flexível e leva em conta o tamanho e modelo de negócio de cada rádio. A Pandora, que tem muita renda vinda de anúncios, pagará 25% desta renda ou uma taxa por música ouvida via stream, começando com 0,08 cents em 2006, aumentando para 0,14 em 2015.

Os sites ainda se comprometeram a fornecer informações mais detalhadas sobre as músicas e sobre os ouvintes para a SoundExchange, o ECAD de lá.

Para as rádios, é um alívio, talvez temporário, que ao menos permite a sua sobrevivência.

Já as gravadoras acham que a briga anterior era "justa e apropriada", segundo um executivo da SoundExchange, e que o acordo recém fechado tem "approach experimental", permitindo aos webcasters "oportunidade de testar vários modelos de negócio e aos criadores de música a oportunidade de partilhar do sucesso que suas gravações geram."

Será que essa história vai ter final feliz?

6 de jul de 2009

Jack White cria serviço de assinatura


Deu no Pitchfork.

Jack White reclamava que, com a total disponibilidade de tudo na internet, o mistério acabou. Mas parou de remar contra a maré e através do seu selo Third Man Records lançou um serviço de assinatura. Além de vinis exclusivos, acesso a vídeos, fórums, fotos, pré venda de ingressos e pay-per-view de shows dos Dead Weather, Raconteurs e White Stripes. Isso por 7 doletas. Pela assinatura Platinum de $20, LPs, camisas e outras guloseimas. Boa sorte, Jack.

Vejam a matéria completa:


Jack White Launches Subscription Service

For years. Jack White has been harping about the sorry state of the music industry and how the internet is making music disposable and how there's no mystery anymore. Now, he's trying to remedy the situation from the inside out with his label, Third Man Records.

Along with putting out Jack-approved music, the imprint has set up a subscription service-- dubbed the Vault-- to provide fans with exclusive vinyl releases and web content. According to a new blog post from Jack: "Pleasing people. What's it like? Someone should let me know. Pleasing fans? Is it possible? Let's find out!" Gotta love this guy's gumption.

The Vault is based on a two-tiered system. Premium members pay $7 a month and get access to videos, forums, photos, ticket pre-sales, artist blogs, and "pay-per-view live concerts of Dead Weather, Raconteurs, White Stripes, and more." Platinum members pay $20 a month and get all that stuff plus a Third Man 12" LP, 7", and t-shirt exclusive to Vault-ers every three months. You can sign up now.

UPDATE: Platinum members' first installment will include the White Stripes' Icky Thump on 180 gram double vinyl, including new artwork and a mono mix, as well as a Dead Weather 7" featuring covers of Pentagram's "Forever My Queen" and "Outside" by Downliners Sect.

Moonalice - Uma banda de veteranos dá exemplo de comunicação com os fãs


Eu fiquei tão impressionado que tinha que dividir com vocês. Enquanto muita gente reclama, tem artista cuidando de conquistar os fãs dando a eles muito mais do que eles esperam.

O Moonalice é uma banda formada por grandes músicos. O guitarrista G. E. Smith já acompanhou grandes nomes da música como Bob Dylan, Tina Turner, Mick Jagger, Tracy Chapman e Hall And Oates e foi diretor musical da orquestra do Saturday Night Live. Jack Casady foi baixista do Jefferson Airplane e tecladista do Hot Tuna. Pete Sears já tocou e gravou com Rod Stewart, Jerry Garcia e Los Lobos, entre muitos outros. John Molo foi baterista do Bruce Hornsby e do John Fogerty. Pelas minhas contas a maioria está na casa dos 60 anos. Apesar desse timaço eu nunca tinha ouvido falar da banda.

Outro dia recebi no Twitter uma mensagem de alguém que eu nem conhecia me recomendando essa banda. Ouvi, gostei e recomendei. Daqui a pouco recebi uma mensagem da banda agradecendo a recomendação junto com um link para uma versão ao vivo de uma das canções do primeiro álbum deles. A canção era boa, muito bem tocada, mas não me chamou a atenção até a hora dos solos. Sim, eu disse “solos”, substantivo plural. O primeiro, de teclado, é enorme e maravilhoso, o segundo, de guitarra, também é empolgante. Depois disso ainda tem uma longa parte instrumental sem solo. Ou, como se dizia antigamente, um solo de base. Quando acabou é que eu fui me dar conta que a música tinha mais de 8 minutos de duração. Me ganharam para sempre. Que coragem! E quanto talento.

Comentei sobre a música no Twitter e recebi uma mensagem pedindo para que eu os seguisse porque eles queriam me mandar uma mensagem direta – daquelas que os outros usuários do site não podem visualizar. Avisei que já os estava seguindo e recebi uma mensagem em português pedindo para que eu mandasse meu endereço para um determinado e-mail para que eles me enviarem um disco!!! Quase não acreditei. Mandei um e-mail incrédulo para o guitarrista base – um dos fundadores da Wikipédia! -, achando que quando ele visse que era no Brasil me daria uma desculpa cordial e não me enviaria nada.

Recebi então esse e-mail (em inglês):

“Caro Leoni, Vou te mandar um álbum. Ele foi produzido por T Bone Burnett e inclui 5 versões diferentes das músicas, otimizado para soar como vinil em vários aparelhos diferentes. A versão do DVD é 96/24, com posters para cada canção. Se você tiver bons falantes ligados ao seu aparelho de DVD é a melhor forma de ouvir. (o Álbum também inclui versões otimizadas em mp3, AAC e FLAC; sinta-se à vontade para compartilhar com seus amigos) Cuide-se Chubby Wombat Moonalice”

Ainda estou incrédulo – o disco ainda não chegou -, mas fiquei realmente impressionando com o esforço que foi feito para conquistar um fã que provavelmente não vai gerar receita para eles pois dificilmente eles virão tocar no Brasil.

Recado para os artistas brasileiros: chegou a hora de parar de brincar de superstar e começar a correr atrás de fãs antes que eles não tenham mais tempo de prestar atenção em mais nada.

Parabéns, Moonalice, pelo excelente trabalho de divulgação da música de vocês – caso eles consigam ler esse texto com o tradutor que eles usam para se comunicar com os fãs brasileiros.

PS: Outro e-mail que eu recebi

“Dear Leoni, Moonalice is an experiment. We are musicians from the 60s, trying to create a new band with an old feel. It thrills me that you like what we are doing. I wish I spoke Portuguese. The translation software in TweetDeck isn’t very good. I have two friends who speak Portuguese, so I will try to get their help. Let us know how we can help you. We are delighted to send whatever materials will help you spread the word. Take care, CWM”

UAU!

PS2: Vez por outra o Moonalice faz um Twittercast que consiste em dar todas as canções captadas em um show através do Twitter. Liberando aos poucos, uma cancão a cada três minutos, é como se você fosse ouvindo o show via internet. Inovação é isso!